“Somos sim, senhora. Mas o sinal está fraco. Qual sua posição?”
Ricardo “Rico” Alvares virou o botão com os dedos trêmulos. Ex-mecânico de São Paulo, agora especialista em táticas de guerrilha da 2ª Milícia de Massachusetts, ele sentiu um arrepio na espinha.
Mas Rico viu algo nos olhos de Valquíria. Não era loucura. Era esperança.
O rádio chiou. Não era o ruído branco comum, cheio de estática vazia. Era um chiado orgânico , quase úmido, como o som de um inseto gigante respirando.
A escola estava intacta. Mas as paredes externas brilhavam com um estranho resíduo bioluminescente — igual ao dos Espinhos, porém dourado , não vermelho.
Rico não sabia se aquilo era a salvação da humanidade ou uma nova forma de escravidão — dessa vez, voluntária.
Mas, toda noite, ao ouvir o coro infantil ecoando pelo rádio, ele se lembrava de uma coisa:
“Não é”, disse um menino de óculos. Chamava-se Cauã. “É evolução. Nós somos a resposta. Os Espinhos queriam criar soldados obedientes. Criaram, sem querer, uma mutação: crianças que comandam o silêncio.”
“Nós não fomos escravizadas”, explicou Valquíria, acariciando o cabelo de uma menina. “Nós adaptamos . A frequência de controle dos Espinhos... nós a invertemos. Eles nos tocaram, e nós tocamos eles de volta. Agora, esta cidade é um deserto para os Skitters. Eles sentem dor ao se aproximar.”







